Existe uma diferença fundamental entre uma equipe de segurança que responde a incidentes e uma que os impede de acontecer. Segundo Ernesto Kenji Igarashi, essa diferença não está no número de profissionais em campo, no nível de armamento disponível ou na velocidade de resposta quando algo dá errado. Está na abordagem que orienta toda a operação: reativa ou proativa.
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O que significa, na prática, operar com mentalidade proativa?
Operar de forma proativa começa com uma pergunta diferente. Em vez de perguntar como vamos responder se algo acontecer, a abordagem proativa pergunta o que pode acontecer, onde, em que condições e o que pode ser feito para reduzir essa probabilidade. Essa inversão de perspectiva parece simples, mas muda radicalmente a forma como os recursos são alocados, como o ambiente é monitorado e como as equipes são posicionadas.
Na prática, Ernesto Kenji Igarashi explica que isso significa conduzir análises regulares de vulnerabilidade do ambiente protegido, mapear os padrões de comportamento que podem sinalizar ameaças antes que elas se materializem e estabelecer protocolos de verificação que não dependam de algo ter dado errado para serem ativados. Uma ronda de verificação rotineira feita com atenção analítica é um instrumento proativo. Uma ronda feita mecanicamente, apenas para cumprir protocolo, é uma ficção de segurança.
A coleta e o processamento de informações de contexto também integram a postura proativa. Monitorar eventos externos que possam afetar o ambiente de trabalho, manter canais de comunicação com outras equipes de segurança da região e estar atento a mudanças no perfil de ameaças de determinado setor ou localidade são práticas que ampliam a capacidade de antecipar problemas muito antes de eles chegarem ao perímetro de atuação direta.

Por que a reatividade tem um custo operacional que a proatividade evita?
Operações de segurança que operam primariamente em modo reativo pagam um custo que raramente é contabilizado com clareza: o custo do caos gerenciado. Quando um incidente se materializa sem aviso, a equipe precisa processar a situação, acionar recursos de emergência, reorganizar o posicionamento e tomar decisões sob pressão de tempo, tudo ao mesmo tempo. Cada segundo de reação é um segundo em que o incidente está se desenvolvendo sem resposta estruturada.
A proatividade reduz esse custo porque parte do trabalho já foi feito antes do incidente. Os cenários foram pensados, os protocolos foram definidos, os recursos estão posicionados de forma mais adequada ao risco real. Quando algo foge do padrão, a equipe não começa do zero. Executa um plano que foi construído com calma, testado em treino e disponível na memória operacional de cada profissional. Essa diferença de ponto de partida é determinante para o resultado, pontua Ernesto Kenji Igarashi, um dos coordenadores da segurança do Papa Francisco, em julho de 2013.
Como construir uma cultura de antecipação em equipes de segurança?
A transição de uma equipe reativa para uma equipe proativa não acontece por decreto. Ela exige uma mudança cultural que precisa ser alimentada por lideranças que modelam o comportamento desejado, por processos que valorizam e registram análises de risco preventivas e por treinamentos que desenvolvem a capacidade de leitura antecipada de ameaças. Equipes que nunca foram ensinadas a pensar proativamente tendem a permanecer reativas, mesmo quando a intenção declarada é diferente.
Rituais operacionais contribuem de forma significativa para essa transição. Debriefings após cada operação, com foco em identificar o que poderia ter sido antecipado e como, criam um ciclo de aprendizado coletivo que gradualmente afina a capacidade analítica do grupo. Reuniões de planejamento que começam pela análise de risco, e não pela logística operacional, reforçam a prioridade da antecipação sobre a resposta. Com o tempo, Ernesto Kenji Igarashi comenta que esses rituais moldam a forma como a equipe pensa, e não apenas a forma como age.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
