Por que o consórcio não cobra juros? Descubra com Tiago Oliva Schietti o que realmente compõe as parcelas

Diego Velázquez Por Diego Velázquez
Tiago Oliva Schietti

O consórcio desperta dúvidas recorrentes entre quem pesquisa formas de planejar uma compra sem recorrer a um banco. Entretanto, se não há juros, como a administradora se sustenta financeiramente ao longo de todo o plano? A resposta passa por entender que o valor pago mensalmente não se resume a uma única taxa, mas reúne componentes distintos, cada um cumprindo uma função específica dentro da estrutura do grupo.

Conforme destaca o empresário Tiago Oliva Schietti, esse entendimento evita comparações equivocadas com o financiamento bancário tradicional e ajuda o participante a calcular o custo real da adesão antes de assinar qualquer contrato. Pensando nisso, a seguir, veremos como funciona a lógica sem juros do consórcio, o que forma o valor da parcela na prática e por que a taxa de administração jamais deve ser confundida com um encargo financeiro.

Por que o consórcio não cobra juros na prática?

No consórcio, um grupo de pessoas reúne recursos mensalmente para formar uma poupança coletiva, usada na compra de bens ou serviços à medida que os participantes são contemplados. Não existe uma instituição financeira emprestando dinheiro antecipadamente a cada integrante, e por isso não há cobrança de juros como ocorre em um financiamento convencional. Tiago Oliva Schietti expressa que essa característica muda completamente a lógica do produto, já que cada participante financia sua própria aquisição em conjunto com os demais, sem intermediação de crédito bancário no sentido clássico.

Essa ausência de juros costuma ser o principal atrativo do consórcio, mas gera uma expectativa equivocada de que a parcela deveria corresponder apenas à divisão simples do valor do bem pelo número de meses do plano. Conforme retrata o empresário Tiago Oliva Schietti, essa simplificação ignora custos operacionais legítimos que sustentam o funcionamento de qualquer grupo de consórcio ao longo dos anos.

O que compõe o valor da parcela, afinal?

Ainda que não haja juros, a parcela do consórcio reúne outros elementos embutidos no cálculo mensal. Esses componentes são responsáveis por manter a operação funcionando e por proteger o grupo diante de eventuais atrasos ou desistências ao longo do plano contratado. Entre eles, estão:

  • Fundo comum: parcela destinada à formação da poupança coletiva que sustenta as cartas de crédito entregues aos contemplados;
  • Taxa de administração: remuneração da administradora pela gestão do grupo, cobrada em percentual sobre o valor do bem contratado;
  • Fundo de reserva: reserva financeira que cobre atrasos ou eventual inadimplência de outros participantes do mesmo grupo;
  • Seguro: proteção contratual contra imprevistos como morte ou invalidez do titular da cota, exigida na maioria dos planos.
Tiago Oliva Schietti
Tiago Oliva Schietti

Cada um desses itens tem finalidade própria e nenhum deles representa juros, mesmo que, somados, aumentem o valor total desembolsado ao final do plano. A diferença está na natureza do encargo: enquanto o juro remunera o uso de um capital emprestado, esses componentes custeiam a administração do grupo e a segurança de todos os cotistas.

Qual a diferença entre juros e taxa de administração?

Confundir taxa de administração com juros é um erro comum entre quem pesquisa consórcio pela primeira vez, e essa confusão distorce a comparação com outras formas de aquisição. Tal como frisa o empresário Tiago Oliva Schietti, o juro incide sobre um saldo devedor que cresce com o tempo, enquanto a taxa de administração costuma ser fixa, definida em contrato e diluída ao longo do prazo, sem qualquer relação direta com a correção monetária aplicada ao crédito.

Essa distinção é decisiva na hora de comparar propostas. Um financiamento pode parecer mais barato à primeira vista, mas o juro composto ao longo dos anos frequentemente supera o custo total do consórcio, mesmo somando taxa de administração, fundo de reserva e seguro. A comparação só faz sentido quando o consumidor olha para o custo efetivo total, não apenas para a ausência de juros no nome do produto.

Planejar a compra exige olhar além da ausência de juros

Em última análise, optar pelo consórcio sem entender sua composição pode gerar frustração no meio do caminho, especialmente quando o participante espera uma parcela fixa e imutável. O valor sem juros não significa um custo irrelevante, mas sim um modelo diferente de financiar uma aquisição, sustentado pela cooperação entre os integrantes do grupo. Dessa maneira, o consumidor que analisa cada componente da parcela antes de assinar o contrato consegue comparar propostas com mais precisão e evitar surpresas ao longo dos meses de participação.

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